Encontros aos domingos a partir das 18:30 - Rua Santo Andre 661 , V. Assunção, no Clube Japonês Bunka - SEJAM BEM-VINDOS !

Movimentos do Caminho da Graça - Estação Santo André

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quinta-feira, 17 de maio de 2012

Medo: Senha para o Inferno

Assistimos da parte das igrejas que se intitulam de "evangélicas" ao substancial aumento da incidência de testemunhos sobre o ‘inferno’, estranhamente muito superiores em numero aos testemunhos sobre o 'céu', uma vez que pretensamente este é o local que estas igrejas desejam levar o maior número de pessoas possível.
 
Acredito que tal fato deva-se a duas justificativas: primeira, a facilidade de divulgar-se tais conteúdos nos ambientes virtuais de hoje (blogs, sites, youtube e mídias similares) aliada a tendência do ser humano em ter atraída sua atenção aos temas da autodestruição... o velho mondo cane... a segunda é a manipulação psicológica da religião para manter e fortalecer o medo do inferno como motivação para render-se a salvação que lhes é oferecida por ela.

Entretanto em uma avaliação mais apurada e no confronto com a bíblia percebemos que nada que nasce do medo tem valor espiritual para Deus, posto que só aquilo que é movido por amor (ao próximo e à Deus) é quem possui validação divina. Não se encontra no NT passagem alguma que valide o medo como motivação plausível para qualquer coisa na vida cristã. Tal expediente de ‘evangelização’ renuncia ao mais básico da mensagem da salvação, que é o amor do Pai pelo ser humano, substituindo-o pel o expediente do medo, assim como os deuses das mitologias pagãs.

Render-se ao Pai pelo Seu amor que nos constrange, é quem traz o bônus da libertação de um hipotético 'inferno' e nunca o contrário. Onde existe o medo não há ambiente para a fé e a esperança, e em especial ao amor, que é quem o anula. Entretanto quando o medo é a tônica, este sempre gera ambientes onde a manipulação e a falta de liberdade imperam. E criam monstros novos todos os dias para aterrorizar e manter cativa a alma, sem perspectiva da verdadeira liberdade em Cristo.

E o que o medo gera? Na parábola dos talentos (Mt.25) o servo que escudou-se no medo para justificar sua ineficiência na administração da quantia que lhe foi confiada, e foi castigado pelo seu senhor porque o medo não o deixou usar a cabeça colocando o dinheiro a juros no banco.

Quando a mulher com fluxo de sangue em um ato de coragem tocou as vestes de Jesus (Mc. 5) e foi curada, se atemorizou quando o Mestre a procurava pois percebeu que alguém O tocou de maneira diferente... talvez seu medo se justificasse pois até então o deus a quem ela foi apresentada era irado e justiceiro... e para fazer tal milagre aquele cara só podia ser Deus ... e se ele fosse um deus como aquele que lhe apresentaram, mesmo com os muitos sinais de compadecimento dele com o sofrimento do povo... mas era preciso tentar e confira que esse Deus encarnado era diferente... poderia haver amor em seu coração para curá-la... e só depois de algum tempo, onde provavelmente um turbilhão de pensamentos passou pela sua cabeça, tomou coragem e apresentou –se, saindo abneçoada pelo seu ato de fé em acreditar que Ele era bom e amoroso o bastante para curá-la.

Jesus em sua explanação sobre a ‘ansiosa solicitude pela vida' (Lc. 12) versando sobre o excessivo zelo humano em prover por seus próprios esforços sua sobrevivência na terra, associa a existência dessa ansiedade ao medo, quando exorta: NÃO TEMAIS, ó pequenino rebanho... 

O que dizer então das cartas de Paulo como por exemplo, Romanos 8:15 e 2a. Timóteo 1:7 ? A carta aos Heberus 2:15 afirma que o medo da morte (que oculta a incerteza humana sobre o destino de nossas almas) nos conduz a uma vida de escravidão. Portanto só quem reconhece e aceita o amor do Pai pode viver sem medo da vida e da morte.

Por este motivo os apóstolos não dissociam a revelação do amor do Pai a decisão da conversão voluntária. Ninguém se rende a Jesus verdadeiramente até ser convencido até as entranhas que o contexto do pecado, da justiça e do juízo foram resolvidos pelo Seu amor levando o Seu Filho à cruz!

Tais “testemunhos infernais” seguem o princípio da "isca": prometer algo que atraia a atenção de uma alma quanto às suas carências para fisgá-la, envolvendo-a em uma teia de doutrinas e promessas na expectativa de um milagre que premie seu medo de Deus, da vida e da morte, alijando o principal componente da conversão revelada nos textos bíblicos -o amor do Pai- do processo. 

A nova criatura em Cristo não emerge do doutrinamento puro e simples, ela nasce da compreensão e aceitação do amor do Pai em ter enviado Cristo a morrer pelos seus pecados e a partir disso, essa pessoa como resposta voluntária, afirmativa e compromissada com esse Pai amoroso procura moldar sua vida e seus valores aos princípios do Reino, que tem dois parâmetros de balizamento para andarmos nele: ao amor ao Pai e o amor ao próximo.

Como conseqüencia desse processo natural e não forçado, há uma profusão invisível de vidas restauradas, os casamentos refeitos e curas, muito maior que as espetaculosas campanhas e cruzadas... como o marketing é o “espirito santo” da modernidade, a divulgação desses resultados relevantes e amplamente favoráveis a prática cristã introspectiva e contemplativa não existe, só existe aquilo que é contabilizável pela instituição eclesial com seus eventos e movimentos.

Mas Deus, este sim, sabe de tudo isso...

Enfim, a coisa toda é bem mais profunda que um simples levantar de mão e recitar uma oração de entrega da vida à Jesus, sob que tipo de pregação do evangelho qual seja e é ainda mais comprometedora que a assimilação de doutrinas e adestramento comportamental para parecer "crente"... a radicalidade que a igreja propõe para se viver a vida cristã em uma vã tentativa de impactar o mundo com elevados conceitos morais e éticos tendo como base a bíblia, choca-se frontalmente com aquilo que Cristo afirmou categoricamente em sua oração sacerdotal seria a força que convenceria o mundo de Si e da veracidade de seu ensino – o amor entre os irmãos.

Infelizmente no meio evangélico esse pedido de Jesus que “nos amássemos”, com muita facilidade vira “que nos amassêmos” e caímos no octógono teológico... ou ringue, se você gosta de boxe.

Nem de perto a grande maioria das pregações de hoje apresentam a proposta divina que escancaradamente convida ao homem a fazer: uma declaração de falência pessoal à Deus e ao mundo, num ato de rendição incondicional ao Amor divino, passando a viver nesse mundo como peregrino sem se afatigar em juntar tesouros que perecem, vivendo em paz entre dois mundos que se contrapõem, sendo incompreendido porém sustentado pela Graça do Pai, manifestando as principais credenciais do Reino como seus embaixadores: amando a todos. Só assim o mundo saberá que Ele veio e vive!

domingo, 25 de dezembro de 2011

O NATAL E A REVELAÇÃO AOS MARGINAIS DA RELIGIÃO

Os textos chamados natalinos são todos de natureza revolucionária e marginal.

José é maior que o machismo, e aceita sua mulher, sem poder explicar para ninguém a gravidez dela (isso se alguém tivesse descoberto), mas apenas aceita o testemunho de um anjo, e, ainda pior: num sonho. José torna-se marginal. Deflagra as chamas da revolução da dignidade.

Os magos do oriente chegam conforme a Ordem de Melquizedeque, pois, sem terem nada a ver com a genealogia de Abraão, seguem uma estrela que anda no interior deles, e, caminhando nessa simplicidade discernem aquilo que os teólogos de Jerusalém só sabiam como “estudo bíblico”. Os que tinham a Escritura (os escribas), não tinham a Revelação. E quem nada sabia da Escritura tinha sabido o necessário acerca do Verbo pela via da Revelação. Uns sabiam o endereço: “Em Belém da Judéia...”, mas não tinham a disposição de sair do lugar... amarrados que estavam à idéia de que conhecer o texto leva alguém a qualquer lugar. Já os que perguntavam (os magos), estavam no caminho... seguiam... e são eles os que chegam onde Jesus estava. Eles dão testemunho do potencial revolucionário do Evangelho para qualquer alma da Terra. Esta é a revolução supra religiosa, conforme a Ordem de Melquizedeque.

A velha Isabel dá a luz um filho. Seu velho marido não pode nem contar a história, pois fica mudo. É a revolução dos estéreis e mudos.

O rei dos judeus não tem onde nascer! Esta é a subversão dos poderes!

Pastores distraídos são visitados por miríades de anjos—e eles representam os homens de boa vontade. É a marginalidade da Glória!

Nenhum dos sábios de Jerusalém discernem o Príncipe Eterno quando seus pais o levam ao templo para a circuncisão, mas apenas uma profetiza velha e um ancião sem significado religioso. A revelação não sabe os nomes dos sacerdotes!

Ou seja: a começar da Encarnação como Natal (nascimento), o Evangelho é para aqueles que não se esperava que fossem discerni-lo.

A Revelação é quase sempre marginal!

Os grandes atos de Deus não acontecem em Palácios, mas em choupanas e estrebarias. E a voz mais veemente do natal é a voz da virgem, da Maria simples, e que troveja a justiça de Deus sobre as nações. Ela é quem anuncia a grande subversão divina. E faz isto como um Cântico.

Dedico este texto a todos os que hoje se sentem afastados da religião, e que ainda carregam a culpa de assim estarem afastados.

Deus não é oficial. A vida não é oficial. O amor não é oficial. A Graça de Deus é sempre subversão e marginalidade. Na oficialidade são feitos os julgamentos. Na marginalidade explode a vida.

Abra seu coração e siga o Guia, conforme os magos. Seja generoso como José. Corajoso como Maria. Fértil como a estéril Isabel. Convicto como o mudo Zacarias. Alegre como aqueles que são acordados nos campos pela voz de anjos. Capaz de antever a salvação como esperança mesmo que você seja velho como Simeão e idoso como Ana.

Nas narrativas do Natal nas Escrituras não são as pessoas que vão a Deus, mas Deus que vai às pessoas.

O Natal acontece como afirmação de que em Jesus, Deus se reconciliou com os homens. Assim, não se sinta excluído, pois, eu sei, nestes dias, Deus enviará corais de vozes interiores, e nos ajudará a discernir o caminho interior da estrela, e nos fará contentes com a Graça de Hoje, e que será a esperança de amanhã, para nós e para todos os humanos.

No Natal Jesus é a alegria dos homens!


Nele,


Caio

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O Natal de Deus mais real que eu.

"Depois disso, meu natal já era!"

Só afirma uma coisa desse quem jamais soube o que foi de fato a experiência "natalina" de José, Maria e o recém-nascido.

Nossos natais são muito idealizados. Muito projetados. Muito utópicos e muito montados. Presépio e presepada.

O Natal de Deus aconteceu na realidade mais concreta e visceral.

Sim, o Natal do Deus que muita gente duvida que seja real, foi mais real do que eu! Realidade chocante!

"A vida como ela é!" - diria Nelson Rodrigues. Foi o Natal de Deus.

Menina-moça que aparece afirmando que o Espírito Santo colocou a sementinha dentro dela... Não é uma posição tão confortável e meiga, não é mesmo?

Homem-moço que não sabe se dá um tapa na noiva-esposa cínica, ou se a interna urgentemente no sanatório mais próximo. A terceira opção seria assumir a "cornice". Mas o homem, por um sonho que teve, escolheu de bom grado ser "corneado" por Deus.

Confortável essa posição de José, não é?

Tiveram que andar milhas e milhas a fim de obedecer um decreto tirano que os obrigava a ir à cidade natal para um recenseamento. E Maria grávida de vários meses.

Que adorável deve ter sido essa caminhada ou trajeto no lombo de jegue, não é?

Chegando na cidade de José - Belém da judéia, Cidade de Davi - tinham agora que enfrentar burocracia, fila e muita espera! Era muita gente pra ser atendida! Stress e incômodo puro!

Natal com stress? E combina isso? - pergunta o meu distraído leitor.

Mas eu não já disse que o Natal de Deus é mais real que eu?

Pois bem... Burocracia, fila, espera... E Maria já não podendo mais esperar. Bolsa rompendo. Daria a luz ali, nesse caldeirão de ansiedade, estranheza e mal-estar.

Só um probleminha a mais: a cidade estava abarrotada de gente. Cidadãos que vieram de todas as partes do país. Não havia vaga em nenhuma hospedaria.

"E Deus não abrirá uma porta onde não há porta?" - pergunta o que tem féde mais.

Nenhuma porta aberta. Todas fechadas.

Até então eles tinham dado o jeito. Um homem e uma mulher grávida podem aguentar muito desconforto. Sereno, vento, chuva, frio... Mas agora com um neném? Merece um quarto quentinho, acolhedor, limpo.. Um ninho.

Não havia quarto. Mas havia a estrebaria.

Que natal reluzente hein? É o natal dos sonhos de qualquer um, não é! Ora eu pensei que era. Não é por isso que reproduzimos esta cena horrível com nossos presépios tão lindinhos?

Acabou o natal deles? Que nada. Só estava começando.

De repente amigos pastores do campo, desconhecidos, chegam. A melhor Graça de Deus é sempre um algo inesperado. Graça que se roteiriza e se cronometra não tem tanta graça assim. E quando menos esperavam, solitários no lugar de alimentação de animais... surpresa!

Aparecem também uns estranhos orientais. Viram uma estrela no céu que os guiara até ali.

E vai havendo companhia, felicitações, louvor, amizade e vínculo da perfeição. O pós-parto vai ficando iluminado de humanidade simples, solidária, fraterna e real.

O Natal de Deus continha distância de casa e da família...
O Natal de Deus incluía a humilhação da submissão a ordem de um governador tirano e opressor...
O Natal de Deus tinha pouca luz, comida, conforto e amigos...
O Natal de Deus tinha rejeição e falta de piedade dos gerentes e donos das hospedarias...
O Natal de Deus não tinha privilégio especial àquele que Ele havia declarado como Filho Seu...
O Natal de Deus, para Maria e José, tinha o céu meio silencioso e aparentemente vazio... Sem portas abertas. Só portão de curral.
O Natal de Deus tinha tudo o que muita gente, experimentando, diria: "Não há chance de haver natal esse ano! Acabou o meu natal!"

Mas no Natal de Deus havia presença de Deus Conosco, presente, no meio do turbilhão com a gente.
No Natal de Deus havia estrela no céu, significado.
No Natal de Deus havia coral de anjos que antecipavam a grande herança e felicidade dos homens que tivessem boa vontade para viver e crêr. Boa vontade própria? Não. Consciência da boa vontade de Deus e seu bem-querer por eles!
No Natal de Deus havia provisão de amigos. Não os amigos do script pré-fabricado. Não. Os amigos do caminho, da rua, da imprevisibilidade... Desconhecidos irmanados pelo poder do louvor, da fé e da gratidão.
No Natal de Deus bois e vaquinhas ocupavam os lugares que Reis e Rainhas desejariam ocupar, como testemunhas daquele evento histórico sem precedentes.

No Natal de Deus não havia presépio ou presepada. Havia realidade. Havia a Vida de um Deus que não é utópico, alienado, alienante, fanatasioso, isolado, insensível, impermeável ou auto-protegido.

Não. Irreais somos nós e nossas projeções de vida e mundo. Inclusive nossas projeções a respeito do Deus que duvidamos que seja real...

Deus no entanto, é real. E o Natal de Deus é infinitamente mais real que eu.

Se Deus não é real, o menino dormindo debaixo do viaduto também não é. E é ali que ele escolheu estar e ser servido, adorado, descoberto, amado, manifesto, significado, presente. Pra justiça, alegria e esperança de todo o que crê.

E você? Pensando aí que o Natal acabou? Pereceu? Babou? Bichou?

Caia na Real! O Natal nem começou! Começará agora!

Bem mais real do que voce podia imaginar. Aliás... não imagine.

Viva a realidade do Natal de Deus em você!

Esteja você no lugar de qualquer personagem dessas, vá viver o natal! Seja você José, Maria...

Seja você o pastor do campo enviado a algum lugar a fim de fazer companhia...
Seja você um sábio oriental, que chegará com louvor, presente, afirmação, testemunho e solidariedade.
Seja você a mosca do cocô da mimosa, vaquinha do estábulo... não importa!

O Natal sempre é feliz, quando se sabe e se crê que ele adentrou a nossa Realidade mais desnudada. Veio pra estar, ficar, permanecer. Emanuel: Deus Conosco!

Deus que é Deus de todo aquele que, sentindo nos pés a textura e espessura de cada uma das afiadas pedras do caminho da realidade, vai aprendendo a lê-las com o "código braille" da fé. E o que se lê o tempo todo é: "Eu estou com você. Não temas porque eu sou contigo. Eu te amo. O Senhor proverá. Confia! A gente vai junto. Haverá um bom futuro e não será frustrada a tua esperança".

Feliz Natal! Real!


Marcello Cunha

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Entendendo os dias

O fim de ano está aí novamente... parece que foi ontem que brindamos o ano novo... a quantidade de acontecimentos no decorrer do ano entorpece nossa percepção de tempo, distraindo-nos de percebermos que gradativamente nossas feições adquirem as rugas da vivência... os fios brancos de nossos cabelos um dia explodem em nossa cara ao nos olharmos mais tempo no espelho... e de repente vemos que o vigor de nossa juventude dá lugar a uma vontade de ir mais devagar, de obedecer os limites de nosso corpo.

Daí entendemos (às vezes muito tarde) o desejo de Davi ao afirmar "Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios" (Salmos 90:12). Só depois da vida ter imposto suas regras à nós, frequentemente pela via da oposição aos nossos desejos, descobrimos que perdemos tempo lutando com coisas sem relevância, fazendo que não percebamos que ela é breve e, quando percebemos isso, invade-nos uma sensação de tempo perdido.

No entanto o ensino da Palavra frente a esse desejo da Davi é para que apesar de sua brevidade, as experiências vividas na vida de cada um possam se transformar em sabedoria para viver melhor os tempos futuros, remindo assim essa sensação de que o tempo passou e não haverá mais tempo para as conquistas que povoavam nossos sonhos de outrora... se não deixamos o tempo nos ensinar a viver melhor nossos dias, não alcançaremos entendimento para decidirmos com sabedoria quando o tempo não for mais um bem fartamente disponível para nós nesta terra.

Então que possamos aprender a dar valor àquilo que permanece, que traz vida, que une pessoas em harmonia e promove o bem entre os homens.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

O SEU MELHOR ESTÁ NO SEU PIOR...

A grande maravilha é como o Deus de toda Graça toma aquilo que em nós é bem e bom, e que está sendo mal usado; e, por Seu amor, transforma em bem-bem; isto para quem deseja enxergar.
Paulo é um bom exemplo disso!
Ele é estratégico, a ponto de guardar as roupas dos que a Estevão apedrejavam.
Ele é educado, a ponto de se avantajar aos demais de sua idade, em sua geração.
Ele é articulado e confiável, a ponto de obter cartas de recomendação das autoridades judaicas para prender os do Caminho, que viviam em Damasco.
Ele obstinado e invergável em seus objetivos, a ponto de perseguir os do Caminho, até mesmo fazendo-os blasfemar.
Ele é móvel e independente em seu existir, a ponto de não ter se contentado em perseguir os do Caminho que viviam apenas em Israel; indo, portanto, buscá-los em Damasco, na Síria.
Ele é zeloso, a ponto de se ofender com a fé dos do Caminho como quem se ofende de uma blasfêmia dita contra Deus.
Ele sonha com a purificação da fé de seus pais, por esta razão persegue a pior ameaça que a sua tradição já sofrera: a chegada dos do Caminho.
Ora, ele é alcançado pelo amor de Deus ‘no caminho’ para uma ‘terra de gentios’; crê por si mesmo, e com independência vai meditar nos desertos da Arábia; sinceramente mergulha nas Escrituras que conhecia desde a infância e nelas encontra explicitado aquilo que ‘no caminho’ o próprio Jesus já lhe revelara; e, sendo livre, segue seu caminho, não voltando nem mesmo à Jerusalém ou aos apóstolos; e, sendo móvel... prossegue para os confins da terra, como verdadeiro hebreu desinstalado; e como era zeloso da lei, tornou-se amante da Graça; e tendo sido perseguidor, soube agüentar perseguições; e sendo obstinado, não se intimidou; e sendo cheio de sonhos, sonhou e viveu seu sonho de amor por Cristo.
Um homem encontrado na mobilidade do caminho para fora de sua própria fronteira, e que carregava a ousadia de ir além, sendo implacável em seus objetivos, torna-se o escravo do amor de Deus; e, em si mesmo, vê todas as energias anteriores se converterem em paixão amorosa pelo mundo; e não teme viver exilado de seu povo em razão de ter sido o primeiro apostolo a tratar o mundo como sua paróquia.
Nós somos quem nós somos, para o bem ou para o mal.
Sim, antes de bem e mal serem escolhas em nós, feitas por nós, nós mesmos somos.
Sim, somos anteriores, existencialmente, ao bem e ao mal...
Há um ‘eu’ em mim que pode amar e se satisfazer com a vontade de Deus. No entanto, seu fluxo de energia ‘passa’ pelo ‘pecado que habita em mim’. E é aí que os ‘dois caminhos’ estão... na encruzilhada do coração.
O mesmo homem... As mesmas marcas de personalidade... A mesma essência... Dois produtos completamente diferentes...
“Pendor”... é uma palavra que em Paulo tem um grande significado existencial, conforme Romanos 8.
A essência está lá... O resto é pendor... Sim, para onde penderemos...
Dentro de nós, todos os dias, temos luzes que nos visitam...
O caminho para Damasco acontece no chão do coração...
Mas... nem sempre nos submetemos à luz que nos encandeia no caminho... e, assim, seguimos com os olhos cobertos de escamas.
Paulo nos deixa ver como não há nada que um dia tenha sido usado para o mal... em nós... que não possa se transformar em virtude... conforme a Graça.
Paulo era o mesmo...
A luz é que determinou o novo pendor...
E tais revelações mais comumente acontecem no caminho... onde a vida acontece.
Quem recebeu a revelação de Cristo não conhece mais o caminho do retorno...
Quem antes odiava por zelo de Deus... agora ama com paixão a todos os homens... e sabe que o ódio é que é a blasfêmia.
Olhe bem o seu lixo... pois nele está o seu tesouro...
Nele, em Quem tudo vira tesouro,

Caio

domingo, 21 de agosto de 2011

Você está desviado?

O Caminho de Deus em nós vai do pesado para o essencial. Vai da total dependência a outros até que se chegue apenas à total dependência de Deus!

Nascemos e somos completamente dependentes de cuidados de outros. Nossos pais e ou nossos guardiões nos são essenciais. Sem eles não sobrevivemos. No entanto, chega a hora em que ficarmos menos e menos dependente dele será a nossa saúde e salvação nesta existência.

Enquanto moramos com eles ou somos por eles sustentados, temos que lhes ser dependentes, pelo menos no que diz respeito às decisões que pretendemos tomar na vida. Entretanto, vem a hora quando a saúde de ser nos compele a vivermos de nosso próprio sustento, e, além disso, impõem-se a necessidade de termos nossa própria casa e família. Então, deixamos pai e mãe, nos unimos a um outro, e fazemo-nos com ele ou ela uma só carne.

Com Deus é assim também. No início precisamos de muitos ajudadores espirituais. Sem eles somos como recém-nascidos indefesos neste mundo. Necessitamos que nos sirvam o genuíno leite espiritual.

Chega a hora, todavia, que se espera que cada um cresça o suficiente para não mais dependermos de outros, mas apenas os reconhecermos como família espiritual, embora nossa vida seja vivida para além da necessidade de que outros nos sirvam. De fato, instala-se em nós outra a necessidade, que é a de servi-los.

Na viagem espiritual nascemos de Deus, mas precisamos muitos dos nossos guias e ajudadores na fé. Depois, no entanto, se espera que cada um cresça a fim de andar com as próprias pernas como resultado de nosso vínculo adulto com Deus na fé.

Daí em diante nossa relação com nossos pais espirituais passa a ser de carinho, gratidão e reverência, mas já não de dependência. O mesmo se diz dos demais irmãos. Sim, os amamos e gostamos de com eles estar, mas já não por dependência. Surge apenas a alegria de amá-los e de servi-los. Todavia, já não necessitamos de ninguém para que sobrevivamos, talvez, exceto, no meio de uma grande crise ou calamidade. Espera-se que cada um aprenda a cuidar de si mesmo e de outros. E também espera-se que tenha na maturidade de seu casamento com Deus a sua própria segurança no caminhar.

Esse é o caminho para a maturidade tanto humana quanto espiritual!

Todavia, na maioria dos casos não é assim. E a razão é que “nossos pais”, no caso a “igreja”, nos “educam” para que jamais tenhamos tal autodeterminação em Deus. Desse modo, não somos educados para a vida, mas para a “igreja”. Daí a “igreja” criar eternos dependentes de si mesma, visto que pretende que seus “filhos” vivam sob suas asas; e mais: que a sirvam como filhos/escravos até ao fim da vida.

Seria e é [...] como se cada crente fosse e seja [...] como um adulto na idade, mas que vive com a atitude emocional de um bebê. Nesse caso, se qualquer coisa acontece [e acontece o tempo todo], a pessoa morre; posto que nunca aprendeu a viver de Deus e com Deus!

A “igreja” não quer que seus filhos se tornem adultos filhos de Deus!

Na realidade, a “igreja” cria filhos para ela mesma, não para Deus e nem para a vida. E, por esta razão, os filhos da “igreja” têm nela o seu “Deus”; e, nesse caso, jamais crescem para deixar pai e mãe, quando a idade chega, a fim de viver a vida com outra consciência.

É também por esta razão que os “crentes” vivem sem Deus no mundo o tempo todo; posto que a “igreja” [ou mesmo a Igreja], não seja Deus, mas apenas a família da fé.

Por esta razão, quando alguém se decepciona com “a família”, desvia-se de Deus; posto que para o crente a “igreja” é um “Deus”. É também por esta razão que todo crente que não esteja na “igreja” [por qualquer que seja a razão], sente-se desviado de Deus, além de que se declara que ele está de fato “afastado de Deus” em razão de não estar frequentando as reuniões “de família”, ainda que “família” seja louca ou totalmente tirânica e adoecida.

A verdadeira Igreja tem que ser como pais bons e conscientes que criam filhos para a vida em Deus!

Mas, infelizmente, não é assim na maioria dos casos. Afinal, o Cristianismo, em qualquer de suas versões, é Católico/Constantiniano, posto que ensine que “fora da igreja não há salvação”.

O problema é que muitos não têm essa compreensão, e, quando enxergam as “loucuras da família” afastam-se do convívio humano adoecido, não buscam mais nenhuma outra comunhão humana, e, no processo sentem-se separados de Deus para sempre!

Cada um de nós precisa de comunhão humana, tanto quanto se precisa de vínculos familiares. No entanto, mesmo que os nossos pais nos abandonem ou nos traiam, diz o Senhor: “Eu te acolherei!”

Mais uma coisa: todos os que assim discernem a vida em Deus, nunca ficam órfãos de irmãos!

Pense nisso, cresça e deixe a sua orfandade!

Nosso Pai tem muitos filhos!

Nele, que nunca nos deixa órfãos,

Caio